Até que ponto o Google e o Burguer King estão certos?

 

Na última quarta feira, 12 de abril, o Google acabou dando oportunidade ao Burguer King de criar uma propaganda mais envolvente. A ideia era a partir de um anúncio na TV ativar o sistema de pesquisa por voz da empresa. A grande jogada começou com o ator dizendo a seguinte frase “Você está assistindo um anúncio de 15 segundos do Burger King, que, infelizmente, não é tempo o suficiente para explicar todos os ingredientes frescos no sanduíche Whooper”.

E o ator da propaganda continuou “Mas eu tenho uma ideia. OK Google, o que é o Whooper?”, apenas a frase “OK Google” ativa o programa de pesquisa por voz, mais conhecido como Google Home. Além disso, qualquer dispositivo que estivesse próximo a televisão naquele momento seria despertado, consequentemente iria começar a pesquisa e de certa forma fazer a propaganda pelo Burguer King.

Fonte: TechCrunch

Pouco tempo depois, a brincadeira acabou. O BuzzFeed e o The Verge testaram e mostraram que não havia mais uma reação do aparelho em relação a essa frase.

Certos de que não fizeram nenhum vínculo com o Google, O Burguer King afirmou que a grande tecnologia envolta dos sistemas da empresa foram modificadas naquela tarde e, consequentemente o comercial parou de causar a ativação dos aparelhos.

Grandes discussões permearam o assunto, algumas pessoas acreditam que a ousadia da empresa de fastfoods foi longe demais, outros acusam que devemos usar esses aparatos tecnológicos e ainda há quem diga que foi antiético.

“O Burger King não invadiu o sistema, apenas utilizou uma função que é aberta e transformou isso em uma oportunidade. Em campanha de oportunidade é preciso avaliar os prós e contras e de forma muito rápida, porque a hora de comunicar pode passar. Era preciso ter avaliado como o device funcionava, e prever a reação das pessoas” Opinou o head de inovação e diretor de criação da We, Luis Constantino.

 Já para o CCO da SalveTribal Worldwide, o Burguer King apenas usufruiu de uma oportunidade. E completa “Eu gostei da ousadia e da ideia. O efeito colateral é um risco que só quem faz primeiro corre.” De fato, circular uma propaganda não é tão fácil quanto parece. É necessário prestar atenção em cada detalhe, pois de uma forma ou de outra pode passar uma mensagem que não é a melhor forma de abordar algum assunto e acaba criando um desentendimento que consequentemente gera confusão.

Por outro lado, devemos analisar também o Google, “Não há o que criticar o Google, pois é uma empresa que detém o monopólio no segmento de buscadores e está defendendo seus interesses comerciais. A crença de que o sistema de inteligência artificial do Google usa critérios de interesse público está equivocado, pois ele atua seguindo os interesses privados da companhia. Este sistema de inteligência artificial do Google armazena como um espaço público, quando na verdade é um espaço privado” Expõe Luiz Peres Neto, professor do programa de Pós Graduação e Práticas de Consumo da ESPM.

Entretanto, é importante para a publicidade que seja oferecido na internet aparatos para poder ampliar o seu público e haver interação, dinâmica e não algo estático, ao qual todos estão acostumados. Neto reforça “Você tem objetos conectados em rede, que rastreiam outras coisas e essa troca de informações gera milhões de possibilidades com um custo muito menor para a criação publicitária. Porém, do ponto de vista do consumidor é uma atuação não desejada? É uma invasão de privacidade? Estamos expostos a este cenário, a partir do momento que as ‘coisas’ estão em rede e esta será uma prática corrente do mercado”.

Fonte: Meio e Mensagem, Meio e Mensagem.

 

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